NASA abre inscrições para o Space Apps 2026, hackathon global de dois dias
A NASA anunciou em 15 de outubro de 2026 que estão abertas as inscrições para o NASA Space Apps Challenge 2026. O hackathon global será realizado...
Lua
Europa é uma das quatro grandes luas de Júpiter e a quarta maior lua do planeta. A sua superfície gelada e as medições que apontam para um oceano salgado sob a crosta fazem dela um alvo importante para investigar ambientes potencialmente habitáveis fora da Terra. Lançada em 2024, a missão Europa Clipper estudará se existem locais sob a sua superfície que poderiam sustentar vida.
Europa é uma lua de Júpiter e uma das suas quatro luas galileanas, juntamente com Io, Ganimedes e Calisto. É a quarta maior lua do planeta e a sexta mais próxima dele. O seu nome vem de Europa, personagem da mitologia grega raptada por Zeus, equivalente ao Júpiter romano. Na nomenclatura NAIF, Europa consta com o código 502 e o número romano JII.
Com cerca de 3.100 quilómetros de diâmetro equatorial, tem aproximadamente 90% do diâmetro da Lua terrestre. A sua superfície gelada reflete cerca de 5,5 vezes mais luz solar do que a Lua; por isso, Europa seria mais brilhante se ocupasse o seu lugar no céu. Júpiter encontra-se a cerca de 780 milhões de quilómetros do Sol, e a luz solar demora aproximadamente 45 minutos a chegar a Europa; aí, é cerca de 25 vezes mais fraca do que na Terra.
As observações espectroscópicas realizadas em 1972 mostraram que a superfície é composta principalmente por gelo de água. As imagens das sondas Voyager revelaram um terreno muito brilhante e relativamente liso, sulcado por bandas, fraturas e cristas. Em algumas bandas escuras, as bordas encaixam como peças de um puzzle. Isto sugere que as fraturas se afastaram e que material escuro e gelado poderá ter fluído para as aberturas. As imagens também mostraram poucas crateras grandes, um sinal de que processos geológicos poderão ter renovado a superfície; entre as explicações consideradas estão fluxos de gelo ou o abatimento gradual da crosta.
Entre outras evidências importantes e sólidas de um oceano sob o gelo estão as medições magnéticas da Galileo. Júpiter perturbou o campo magnético em torno de Europa de uma forma que aponta para um campo induzido na própria lua, provavelmente gerado por um fluido condutor. Dada a composição gelada de Europa, os cientistas consideram que o candidato mais provável é um oceano global de água salgada. Estima-se que a camada de gelo tenha entre 15 e 25 quilómetros de espessura e que o oceano possa atingir entre 60 e 150 quilómetros de profundidade. Esse oceano poderia conter aproximadamente o dobro da água de todos os oceanos terrestres.
Em 2019, uma equipa anunciou a deteção direta de vapor de água sobre Europa, através de observações infravermelhas do observatório Keck. Outras observações com telescópios e uma reinterpretação dos dados da Galileo sugeriram que poderão existir plumas de água que se elevam até cerca de 160 quilómetros acima da superfície. A sua existência e possível ligação ao oceano não estão estabelecidas de forma conclusiva. Se o material expelido tiver origem no oceano, uma nave poderia atravessar uma pluma e analisá-la sem chegar à superfície. Também foi proposto que amostras do oceano poderiam incorporar-se na base da crosta e tornar-se acessíveis a estudos remotos quando gelo menos denso ascende.
Europa completa uma órbita em torno de Júpiter em cerca de 3,5 dias e está em rotação síncrona: mantém sempre o mesmo hemisfério voltado para o planeta. A sua órbita é ligeiramente elíptica, pelo que a distância a Júpiter varia. A lua participa numa ressonância orbital com Io e Ganimedes: por cada órbita de Ganimedes, Europa completa duas e Io quatro. As repetidas atrações gravitacionais entre as três luas mantêm uma pequena excentricidade nas suas órbitas.
À medida que a distância varia, também muda a intensidade da atração de Júpiter entre o lado próximo e o lado afastado de Europa. As marés resultantes deformam e relaxam a lua. Esta flexão provavelmente contribui para as fraturas superficiais e poderá produzir aquecimento interno. Se existir um oceano, o aquecimento de maré poderá favorecer atividade vulcânica ou hidrotermal no fundo oceânico. Júpiter bombardeia a superfície com radiação, prejudicial à vida aí exposta, embora essa radiação possa contribuir indiretamente para gerar substâncias utilizáveis num oceano protegido sob o gelo.
A possibilidade de habitabilidade é uma hipótese científica, não uma deteção de vida. Para a vida tal como é conhecida na Terra, considera-se necessário haver água líquida, certos elementos químicos e uma fonte de energia. Os estudos citados pela NASA indicam que Europa poderá reunir água e elementos como carbono, hidrogénio, azoto, oxigénio, fósforo e enxofre. A luz solar não chega por baixo do gelo, pelo que quaisquer organismos hipotéticos dependeriam provavelmente de reações químicas, e não da fotossíntese. A radiação superficial também não significa que o oceano subterrâneo tenha as mesmas condições da superfície.
As primeiras observações de perto foram realizadas pelas Pioneer 10 e 11; as Voyager 1 e 2 obtiveram imagens mais detalhadas durante os seus sobrevoos de Júpiter em 1979. A Galileo, que entrou em órbita de Júpiter em 1995, realizou 12 sobrevoos próximos de Europa e forneceu grande parte do que se sabe sobre ela. A Juno também realizou sobrevoos próximos, e o telescópio espacial Hubble faz parte das observações a partir da Terra. A NASA indica que seis sondas robóticas exploraram Europa.
A Europa Clipper foi lançada em 14 de outubro de 2024. O seu principal objetivo científico é determinar se existem locais sob a superfície de Europa que poderiam sustentar vida. A nave realizará numerosos sobrevoos e estudará a lua em detalhe; o seu objetivo é avaliar condições potencialmente habitáveis, não confirmar por si só que existe vida.
Os valores indicam o período e a incerteza quando disponíveis. Esta vista não simula posições em tempo real.
Contexto
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