Lua

Europa

Europa é uma das quatro grandes luas de Júpiter e a quarta maior lua do planeta. A sua superfície gelada e as medições que apontam para um oceano salgado sob a crosta fazem dela um alvo importante para investigar ambientes potencialmente habitáveis fora da Terra. Lançada em 2024, a missão Europa Clipper estudará se existem locais sob a sua superfície que poderiam sustentar vida.

Verificada 2026-10-16
Europa e possíveis plumas de vapor de água.
Tipo: Imagem · processed scientific image Fornecedor: NASA Autor: NASA/ESA/W. Sparks (STScI)/USGS Astrogeology Science Center Crédito: Credit: NASA/ESA/W. Sparks (STScI)/USGS Astrogeology Science Center Licença: NASA Image Use Policy Tratamento de cor: composite

Descrição

Identidade e contexto

Europa é uma lua de Júpiter e uma das suas quatro luas galileanas, juntamente com Io, Ganimedes e Calisto. É a quarta maior lua do planeta e a sexta mais próxima dele. O seu nome vem de Europa, personagem da mitologia grega raptada por Zeus, equivalente ao Júpiter romano. Na nomenclatura NAIF, Europa consta com o código 502 e o número romano JII.

Com cerca de 3.100 quilómetros de diâmetro equatorial, tem aproximadamente 90% do diâmetro da Lua terrestre. A sua superfície gelada reflete cerca de 5,5 vezes mais luz solar do que a Lua; por isso, Europa seria mais brilhante se ocupasse o seu lugar no céu. Júpiter encontra-se a cerca de 780 milhões de quilómetros do Sol, e a luz solar demora aproximadamente 45 minutos a chegar a Europa; aí, é cerca de 25 vezes mais fraca do que na Terra.

Superfície e estrutura

As observações espectroscópicas realizadas em 1972 mostraram que a superfície é composta principalmente por gelo de água. As imagens das sondas Voyager revelaram um terreno muito brilhante e relativamente liso, sulcado por bandas, fraturas e cristas. Em algumas bandas escuras, as bordas encaixam como peças de um puzzle. Isto sugere que as fraturas se afastaram e que material escuro e gelado poderá ter fluído para as aberturas. As imagens também mostraram poucas crateras grandes, um sinal de que processos geológicos poderão ter renovado a superfície; entre as explicações consideradas estão fluxos de gelo ou o abatimento gradual da crosta.

Entre outras evidências importantes e sólidas de um oceano sob o gelo estão as medições magnéticas da Galileo. Júpiter perturbou o campo magnético em torno de Europa de uma forma que aponta para um campo induzido na própria lua, provavelmente gerado por um fluido condutor. Dada a composição gelada de Europa, os cientistas consideram que o candidato mais provável é um oceano global de água salgada. Estima-se que a camada de gelo tenha entre 15 e 25 quilómetros de espessura e que o oceano possa atingir entre 60 e 150 quilómetros de profundidade. Esse oceano poderia conter aproximadamente o dobro da água de todos os oceanos terrestres.

Em 2019, uma equipa anunciou a deteção direta de vapor de água sobre Europa, através de observações infravermelhas do observatório Keck. Outras observações com telescópios e uma reinterpretação dos dados da Galileo sugeriram que poderão existir plumas de água que se elevam até cerca de 160 quilómetros acima da superfície. A sua existência e possível ligação ao oceano não estão estabelecidas de forma conclusiva. Se o material expelido tiver origem no oceano, uma nave poderia atravessar uma pluma e analisá-la sem chegar à superfície. Também foi proposto que amostras do oceano poderiam incorporar-se na base da crosta e tornar-se acessíveis a estudos remotos quando gelo menos denso ascende.

Órbita e atividade

Europa completa uma órbita em torno de Júpiter em cerca de 3,5 dias e está em rotação síncrona: mantém sempre o mesmo hemisfério voltado para o planeta. A sua órbita é ligeiramente elíptica, pelo que a distância a Júpiter varia. A lua participa numa ressonância orbital com Io e Ganimedes: por cada órbita de Ganimedes, Europa completa duas e Io quatro. As repetidas atrações gravitacionais entre as três luas mantêm uma pequena excentricidade nas suas órbitas.

À medida que a distância varia, também muda a intensidade da atração de Júpiter entre o lado próximo e o lado afastado de Europa. As marés resultantes deformam e relaxam a lua. Esta flexão provavelmente contribui para as fraturas superficiais e poderá produzir aquecimento interno. Se existir um oceano, o aquecimento de maré poderá favorecer atividade vulcânica ou hidrotermal no fundo oceânico. Júpiter bombardeia a superfície com radiação, prejudicial à vida aí exposta, embora essa radiação possa contribuir indiretamente para gerar substâncias utilizáveis num oceano protegido sob o gelo.

Habitabilidade e exploração

A possibilidade de habitabilidade é uma hipótese científica, não uma deteção de vida. Para a vida tal como é conhecida na Terra, considera-se necessário haver água líquida, certos elementos químicos e uma fonte de energia. Os estudos citados pela NASA indicam que Europa poderá reunir água e elementos como carbono, hidrogénio, azoto, oxigénio, fósforo e enxofre. A luz solar não chega por baixo do gelo, pelo que quaisquer organismos hipotéticos dependeriam provavelmente de reações químicas, e não da fotossíntese. A radiação superficial também não significa que o oceano subterrâneo tenha as mesmas condições da superfície.

As primeiras observações de perto foram realizadas pelas Pioneer 10 e 11; as Voyager 1 e 2 obtiveram imagens mais detalhadas durante os seus sobrevoos de Júpiter em 1979. A Galileo, que entrou em órbita de Júpiter em 1995, realizou 12 sobrevoos próximos de Europa e forneceu grande parte do que se sabe sobre ela. A Juno também realizou sobrevoos próximos, e o telescópio espacial Hubble faz parte das observações a partir da Terra. A NASA indica que seis sondas robóticas exploraram Europa.

A Europa Clipper foi lançada em 14 de outubro de 2024. O seu principal objetivo científico é determinar se existem locais sob a superfície de Europa que poderiam sustentar vida. A nave realizará numerosos sobrevoos e estudará a lua em detalhe; o seu objetivo é avaliar condições potencialmente habitáveis, não confirmar por si só que existe vida.

Dados essenciais

Dado essencial
Europa é uma das quatro luas galileanas de Júpiter e a quarta maior lua do planeta.
Dado essencial
O seu diâmetro equatorial é de cerca de 3.100 quilómetros, aproximadamente 90% do diâmetro da Lua terrestre.
Dado essencial
Europa orbita Júpiter em cerca de 3,5 dias e mantém sempre o mesmo hemisfério voltado para o planeta.
Dado essencial
As estimativas citadas situam a camada de gelo entre 15 e 25 quilómetros de espessura e o oceano subjacente entre 60 e 150 quilómetros de profundidade.
Dado essencial
A ressonância orbital com Io e Ganimedes mantém uma pequena excentricidade e contribui para as marés que deformam Europa.
Dado essencial
A Galileo realizou 12 sobrevoos próximos de Europa; a Europa Clipper foi lançada em 14 de outubro de 2024 para investigar o seu potencial de habitabilidade.
Dado essencial
O código NAIF de Europa é 502; o seu número romano na nomenclatura das luas de Júpiter é JII.
Dado essencial
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Dado essencial
jupiter-europa

Grandezas físicas

Diâmetro
3121.6
Grandeza
3.013
Grandeza
3202.7121

Dados orbitais

Os valores indicam o período e a incerteza quando disponíveis. Esta vista não simula posições em tempo real.

Semieixo maior
671100
Parâmetro
3.525463

Datas e cronologia

Ano histórico
1610

Fontes e referências

  1. Europa — NASA Science NASA Science
  2. Catálogo astronómico del visualizador Catálogo astronómico del visualizador
  3. Carlson et al.: Europa’s Surface Composition 283 283 NASA
  4. Why Europa: Ingredients for Life - NASA Science NASA
  5. Europa: Facts - NASA Science NASA
  6. Geology of Europa - NASA Technical Reports Server (NTRS) NASA
  7. Europa Clipper Mission FAQ NASA
  8. Europa Clipper Mission Overview NASA
  9. Science | NASA Jet Propulsion Laboratory (JPL) NASA
  10. ESA - Webb finds carbon source on surface of Jupiter’s moon Europa European Space Agency
  11. Europa Clipper Mission Science NASA
  12. NAIF Integer ID codes — NASA JPL naif.jpl.nasa.gov

Contexto