Dados essenciais
- A NASA estima que a matéria escura represente cerca de 27% do universo e a matéria comum, aproximadamente 5%.
- A matéria escura aparentemente não interage com o espectro eletromagnético, mas exerce influência gravitacional sobre a matéria comum e a luz.
- As lentes gravitacionais permitem estimar a distribuição de massa a partir da curvatura da luz; nos aglomerados, a matéria visível, sozinha, não explica toda a distorção observada.
- Roman estudará lentes gravitacionais fracas e medirá a localização e a quantidade de matéria comum e escura em centenas de milhões de galáxias.
- Segundo as previsões descritas pela NASA, partículas pesadas e lentas se agrupariam com facilidade, enquanto partículas mais leves e rápidas demorariam mais para formar estruturas de grande escala.
- A identidade e a massa das partículas de matéria escura continuam pouco conhecidas; a relação entre velocidade e agrupamento é uma previsão que as observações poderão testar.
Fichas relacionadas
A matéria escura apresenta um paradoxo: não emite, absorve nem reflete luz, mas sua gravidade deixa marcas observáveis no universo. De acordo com as estimativas apresentadas pela NASA, ela constitui cerca de 27% do universo, em comparação com aproximadamente 5% de matéria comum. Essa influência gravitacional permite estudar onde ela se encontra e como está organizada, embora as partículas que a compõem ainda não sejam bem conhecidas.
A missão Nancy Grace Roman, da NASA, usará lentes gravitacionais para estudar a distribuição da matéria em diferentes escalas. A relação entre a velocidade hipotética das partículas e o crescimento das galáxias oferece uma maneira de formular o que essas observações poderiam revelar: não a identificação direta das partículas, mas a possibilidade de comparar a história das estruturas cósmicas com diferentes previsões.
Uma presença invisível que curva a luz
A matéria comum — que forma estrelas, galáxias e os objetos que podemos observar — interage com a luz. A matéria escura, por outro lado, interage gravitacionalmente com a matéria comum, mas aparentemente não interage com o espectro eletromagnético. Por isso, os telescópios não a detectam como fonte luminosa. Sua presença é inferida pelos efeitos de sua gravidade.
Uma dessas marcas é a lente gravitacional. Concentrações de massa curvam o espaço-tempo e alteram a trajetória da luz que passa perto delas. Quando a luz de uma galáxia distante atravessa a região de um aglomerado de galáxias, pode chegar distorcida — e, em certos casos, intensificada — aos telescópios. Ao medir essa distorção, os astrônomos podem estimar a localização e a quantidade de matéria que a produz.
Nos aglomerados, a matéria visível, por si só, não basta para explicar toda a curvatura observada. A matéria escura acrescenta gravidade. Assim, as lentes não mostram diretamente essa matéria: permitem reconstruir sua distribuição a partir do efeito combinado da massa sobre a luz. Experimentos como a sonda Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP), da NASA, também foram usados para medir as proporções de matéria comum e escura no universo primordial.
A velocidade muda o ritmo do agrupamento
A questão de as partículas serem lentas ou rápidas é importante porque, segundo as previsões descritas pela NASA, seu movimento influenciaria o tempo necessário para se reunirem em concentrações de matéria. Se a matéria escura fosse formada por partículas pesadas e lentas, elas se agrupariam com facilidade. Nesse cenário, seria esperado observar a formação de galáxias nas etapas iniciais da história cósmica.
Se, por outro lado, as partículas fossem mais leves e rápidas, demorariam mais para se acomodar em agrupamentos e desenvolver estruturas de grande escala. A diferença apareceria, portanto, na sequência temporal do crescimento cósmico: quando se formam as concentrações de matéria e como as galáxias e os aglomerados evoluem.
Essas relações são previsões condicionadas às propriedades hipotéticas das partículas. Por si só, não estabelecem qual cenário está correto. A NASA também observa que, em simulações, as estruturas observadas correspondem melhor à matéria escura fria ou lenta do que à matéria morna ou quente. Essa comparação ajuda a explicar por que o movimento da matéria escura é estudado, mas não determina a identidade de suas partículas.
O que Roman vai medir
Roman aplicará a técnica de lente gravitacional fraca, que busca distorções mais sutis na forma aparente de galáxias distantes. Diferentemente dos efeitos mais marcantes produzidos por grandes concentrações de massa, essa técnica permite acompanhar como grupos menores de matéria escura alteram a imagem de objetos situados atrás deles.
Segundo a descrição da missão da NASA, Roman medirá a localização e a quantidade tanto de matéria comum quanto de matéria escura em centenas de milhões de galáxias. O objetivo é estudar como a matéria se distribui e como as galáxias e os aglomerados mudaram ao longo da história cósmica. Ao observar objetos mais distantes, os astrônomos podem ver épocas anteriores e reconstruir etapas do crescimento dessas estruturas.
Esse mapa cósmico permitiria comparar a distribuição observada com as duas sequências previstas: agrupamento precoce se as partículas forem pesadas e lentas, ou desenvolvimento mais tardio de estruturas grandes se forem leves e rápidas. Observar lentes fracas não equivale a capturar uma partícula em um detector; nesse caso, seu valor está em ajudar a delimitar quais explicações são compatíveis com a história das estruturas.
Uma pista, não a identificação das partículas
A NASA descreve uma ampla variedade de candidatos à matéria escura e observa que os cientistas ainda não têm uma boa estimativa da massa de suas partículas. Essa incerteza dificulta decidir como procurá-las diretamente. A missão Roman foi concebida para fornecer informações sobre a distribuição da matéria e novas pistas que ajudem a aperfeiçoar essas buscas.
Por isso, a relação entre velocidade e formação de galáxias deve ser entendida como uma ferramenta de comparação. As lentes gravitacionais podem mostrar como a massa se distribui e permitir acompanhar a evolução das estruturas; as previsões relacionam essa história ao comportamento esperado de partículas com propriedades diferentes. Em conjunto, essas linhas de pesquisa podem delimitar os modelos que descrevem a matéria escura. A massa e a identidade de suas partículas continuam sendo questões em aberto, enquanto o padrão de agrupamento cósmico oferece um caminho para investigar quais cenários são compatíveis com as observações.